Musica Caipira

Fabuloso texto de Rodrigo Penna Firme, antropólogo com que tenho grande prazer em somar de coração nas lutas por todos nos, seres humanos.

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Sei que o tempo eh curto mas …
que nunca esquecamos que nosso trabalho e nossa luta eh por todos nos, seres humanos …. pelos animais e plantas, rios e mares desse desse planeta… um presente. Essa musica que “colei” la embaixo foi feita e cantada por doutores “honoris causa”, pessoas que o mundo costuma olhar com pouco respeito e carinho … e olha que nunca fui muito de sertanejo…

… Sao doutores que cantam a vida, mas preferimos nao dividir ao incopora-los nos nossos “gostares” … preferimos nao gostarar do que fazem, do que falam, dos seus sotaques, suas maneiras, roupas furadas, sujas de barro ou maltrapilhas …. o barro, o furo na camisa… sao indicadores de pobreza, de repulsa, de horror nas sociedades “deselvolvidas e modernas” … na politica chamam essas pessoas de afro-brasileiros, americanos … tradicionais … na vida real sao uma mistura indistiguivel de pescadores, pedreiros, cacadores, porteiros e empregadas, palmiterios, artesaos, roceiros, sapateiros … pessoas e pessoas, na favela, no “asfalto”, na floresta e suas transicoes…

… criar e desvalorizar o “nao-moderno” eh um dos principais “truques”, eh a tal da hegemonia, que para continuar sua ilusoria permanente expansao do consumo, do lucro, do acumulo, do desperdicio, da ma distribuicao … tem que se “vender” como a unica solucao, a verdade, o caminho do desenvolvimento… entao a briga eh tambem cultural, com base na ideologia de que existem de fato modos de vida individuais e grupais superior e inferiores… os caipiras, os rurais, os favelados, os quilombolas, os pretos, os pardos, os pobres, os fedidos, os sujos, os sem nada para comer, os “sem futuro” …. os brasileiros, os africanos, os sem quase nada espalhados pelo mundo …esses sao o paradoxo. “Entre-linhas” age-se para que seus modos de vida sejam “extintos”, substituidos por outros de uma sociedade “desenvolvida”, para que o progresso seja assegurado.

…sem paises e pessoas pobres nao pode haver “mais valia” (lucro), por causa da inexistencia de mao de obra barata, de mega mercados consumidores, nao pode nem haver paises fornecedores de materias primas, de agua, de alimentos e de pessoas para o exterior … tornar o mundo “moderno”, “desenvolvido”, “rico”, “prospero”, “crecendo” requer que a “cura dos enfermos” seja real, ou seja, dos sem terra, dos sem etnicidade, dos sem dente, sem trabalho, sem “leitura”, sem “roupa de marca” …. e que no caminho essa logica seja substituida pela logica que nao quer transofrmar as relacoes humanas e “homen-natureza” em “business” … a ideia de que tudo deve estar “livre” para ser comprado, trocado e consumido e a logica acompanhante do “respeito” as regras do individualismo, do privado sobre o coletivo, de um mundo sem comunidade, de um mundo que jamais dividira o “bolo”, mesmo que ele se acabe….

…Os movimentos sociais sao uma resposta a essa tomada de consciencia que a “globalizacao” da informacao tem gerado. A violencia urbana nasce de um grito de revolta dos sem nada, mas que agora sao os viloes … O que falava Jesus, Max e Paulo Freire eh os “pobres” do mundo todo precisam saber porque sao pobres… eh essa a globalizacao que falta para a mudanca…

Bem, desculpem tantas palavras … mas que bom que os “caipiras” ainda estao vivos e respirando … a mundialiazao/globalizacao desse logica do capital ajudou algumas pessoas a olharem positivamente para si mesmas, para seus conhecimentos, habitos, visoes, acoes … A logica hegenomica de querer fazer com que as pessoas no “Terceiro mundo” e os pobres do “terceiro mundo” se imaginem como “os terceiros da lista”, numa corrida imaginaria ao ideal “moderno”, “rico”, “limpo”, “cheiroso”, “desenvolvido”, “iluminado” … esta sendo combatida com a formacao dessa consciencia “caipira” global, como disse Arnaldo Jabor recentemente, o “cinema novo” ja fez no passado recente um bom trabalho em mostrar essa pobreza … mas nao basta … essa “pena” alheia … e continuarmos das nossas poltronas … Apesar do colonialismo interno (nossas proprias elites atuais e passadas) e externo (multinacionais, Bancos, ONGs …) nos ainda somos o “Primeiro mundo”, onde se encontram os verdadeiros doutores da vida, da alegria, do “se virar”, da comunhao social, da esperanca, e do que mais importa nessa vida passageira: do coracao.


Musica Caipira – Chitaozinho e Xororo
http://www.youtube.com/watch?v=ejgwMlZhOmI&feature=PlayList&p=C153E876E42CEED1&playnext_from=PL&playnext=1&index=25

beijos, abracos e paz

Rodrigo Penna Firme

El sueño del esclavo

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Os garotos em seu treino para a utopia de ser um Ronaldinho… Ao fundo, a ainda realidade da pesca de onde vem parte do sustento de seus pais. Um garoto ainda olha para o mar, à esquerda, lá no alto. Mas o paraiso de Itacaré, hoje devastado pelo turismo, (a nova senzala) e pelo progresso de nossa cultura dominadora já torna a pesca uma possibilidade de um futuro pouco atraente para estes jovens. Eles têm razão: afinal, o mar está se tornando + e + um deserto sem peixes… e nesta praia, onde eles treinam futebol, o novo esgoto in natura das pousadas, restaurantes e condominios… Pelo menos eles saberão saltar de felicidade quando, no futuro, ao se tornarem apenas mão de obra barata para nós turistas, comprarem seu primeiro Iphone!

Luiz Frota

http://www.luizfrota.com / http://www.sharingvisions.org

Rocinha Slum

Rocinha Slum

Rio de Janeiro, population:6.094.183 inhabitants;Favela da Rocinha
(Rocinha slum),population: more than 150.000 inhabitants, and
growing. Some of them live in complete poverty. They want,
they need, they dream, they want the affluent society status,
they are eager to liberate CO2 in the atmosphere, same as we are.
They want to be consumers of first world democracies.
But our world is no more available to their dreams,
it might have never been. 

Our world can’t stand new consumers...
Our world can’t stand the old consumers...
We need a new way to live in this world - its time to share our dreams!

Luiz Frota

http://www.luizfrota.com / http://www.sharingvisions.org